Em busca da batida perfeita

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Sexta-feira eu subia a rua Pamplona apressado para não perder meu ônibus para minas. Estava perdidos em meio a planos e saudades, quando na esquina quase com a avenida Paulista eu vejo um senhor gordo com sua bengala descendo a rua. Ao se aproximar ele me abordou de forma cordial e de bom humor – “Boa noite, não se preocupe não sou ladrão, até porque gordo desse jeito eu seria um fracasso.” – disse ele tirando seu boné a me cumprimentar batucando em um caderno preto de capa dura e continuou sua história:

“Sou professor de percussão e vim para São Paulo fazer prova em uma faculdade, só que no metrô me fizeram esta surpresa” – e puxando sua mochila preta e verde mostrou um corte no bolso lateral do lado direito – “e roubaram todo o dinheiro que eu tinha”. Fiquei imaginando o pobre professor em um vagão cheio, apertado feito sardinha em lata, e algum aproveitador fez o serviço, deixando-o sem outra opção para voltar para casa que não pedir ajuda na rua. Ele continuou seu discurso:

“Já fui na delegacia fazer ocorrência, estão apurando o caso, mas até agora não sei como vou conseguir voltar para a minha cidade. Por isso estou nessa situação e estou sendo obrigado a pedir ajuda para comprar a passagem.”

Peguei no bolso uma nota de dois reais, entreguei em sua mão e disse: “Gostaria de parabenizá-lo pela ótima atuação. Confesso que na primeira vez que me contou sua história, a alguns meses lá na rua da Consolação, fiquei sensibilizado e saquei dez reais para te ajudar a voltar para casa. Hoje te dou menos e espero que você não tenha a má sorte de contar novamente a mesma lorota para a mesma pessoa. Passar bem.” – e fui-me embora subindo apressado a Pamplona. Já era quase 11h00 e meu ônibus saía dali a 40 minutos.

E ele ficou desconsertado, sem graça, talvez muito puto e continuou sua caminhada Pamplona a baixo.

Comments

5 responses to “Em busca da batida perfeita”

  1. Hugo Santos Avatar
    Hugo Santos

    Que fdp. Até eu já tinha ficado comovido !!!!! HAUEHAUEHAUHEUA

  2. Hugo Santos Avatar
    Hugo Santos

    Ah, agora lembrei tem um cara (mesmo nipe) na Paulista, Vergueiro e região…

    Ele se apresenta como um gringo que foi assaltado em SP. Chega falando inglês (bem, inclusive) explica que foi assaltado e tal e pede dinheiro pra voltar pra casa…

    Na primeira vez que ele me abordou, eu não tinha dinheiro, mas um casal que passava deu 5 reais. Eu andando pela rua vejo o cara num buteco nos arredores da Bela Vista tomando uma cerveja e trocando idéia com uns caras…ok.

    Eu e meu irmão andando de sk8 na Paulista vi o cara abordar um casal… passei do lado e gritei… “Esse cara é maior B.O. não é gringo não ele é safado mesmo” KKKKKkkkkk a mina fechou a cara virou as costas e foi embora e o cara ficou olhando pra trás com cara de …”que dfdp! me f***u!”

  3. gandralf Avatar
    gandralf

    Ainda bem que desta vez não foi a história do soviético

  4. bartira Avatar

    Eu tbm estava ficando comovida. Que maluco isto. Se bem que se for pensar bem, tem muita gente que conta histórias para ganhar dinheiro. E contar história não é pra qualquer um. Nota 5.5 pro gorducho 171.

  5. ANELICE Avatar
    ANELICE

    Pior, que quando a história é verdadeira tem gente que não acredita, achando que é ” lero-lero, falação” e ainda sadicaliza nos “orkuts” da vida.Que feio!!

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