A menos de uma semana eu fui vÃtima de um sequestro relâmpago e desde então eu venho tentando entender muitas coisas que aconteceram, como aconteceram e porque aconteceram. Eu tenho raiva do indivÃduo que me abordou, simplesmente porque eu não tenho a menor idéia do que ele já passou e estava passando naquele momento pra fazer o que fez. Não estou dizendo que o que ele já passou justifica o que foi feito. Só estou tentando me colocar no lugar dele e ver se eu mesmo não tomaria a mesma atitude.
É muito fácil falar se você não passa fome, seus pais (quando essa figura ainda é presente) te deram uma boa criação, princÃpios e uma base moral, você tem emprego, é respeitado e as pessoas não te desprezam. De novo, não estou insinuando que o fato de nascer em berço pobre seja justificativa para se tornar um marginal. Pelo contrário! Acredito que a criação que temos, somada ao nosso caráter, é muito mais importante do que condições materiais. É por isso que vemos o outro extremo: jovens ricos, criados sem limites, se acham os donos do mundo e saem fazendo atrocidades e desreipeitando outros seres humanos simplismente por se acharem melhores do que eles. Não são menos marginais por conta disso.
Pra mim é tudo uma questão de escolha, você escolhe fazer o bem ou fazer o mal. E o fato de escolher não fazer nada não significa que você esteja fazendo o bem. Fazer o bem é combater o mal, ficar inerte é ser conivente com o mal. “Quem cala consente”, não é verdade? O problema pode parecer muito maior do que imaginamos, mas se ficarmos parados as coisas nunca vão melhorar. Ouvi muita gente falando em pena de morte, que “ladrão bom é ladrão morto”, mas eu não concordo com nenhum argumento que foi dado. Também não concordo com o nosso sistema penitenciário, onde pagamos para os criminosos viverem sem produzir nada, e pior, eles acabam se “formando” nunca escola de crime e saem de lá piores do que entraram. Eu acredito em um sistema penitenciário auto-suficiente e justo, onde os presos têm que produzir sua própria alimentação, vestuário e gerar receita pra se manterem. E lá aprenderem uma profissão para quando saÃrem possam ser reinseridos na sociedade.
Esse é outro problema: a sociedade. Hoje, os donos do poder, não querem perder esse poder (e consequêntemente seu dinheiro). Se a população é pouco alfabetizada, não têm opinião própria, é em sua maioria miserável, é fácil para eles se manterem no poder e dominar a massa. E como a gente consegue mudar isso? Se cada um fizer a sua parte, as coisas um dia vão melhorar. O que cada um pode fazer? Sair da inércia! Existem tantas opções de trabalho e cada um faz muita diferença nessa hora. Pode parecer pouco, mas se você conseguir ajudar uma criança a ter estudo, boa criação e valores e não se marginalizar, ela é uma pessoa a menos gerando problema, e uma a mais pra multiplicar essa força tarefa.
É simples assim. Dar a outra face é mostrar que somos capazes de reagir e mudar o panorama que temos hoje em nosso paÃs. É ter a capacidade de dar amor quando a pessoa chega com ódio e rancor. É tentar se colocar no lugar do outro e analisar as dificuldades que ele está passando e ver que podemos ter uma parcela de culpa por causa da nossa inércia. Mahatma Gandhi nos deu um exemplo muito claro de como agir de forma contundente sem violência.
Eu fico imaginando como vai estar o mundo quando eu for criar meus filhos. Será que eu consigo fazer desse mundo um lugar melhor pra eles?
Updates:
[2007.07.31 00h22]
“Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada.” – Edmund Burke
“O exemplo é a escola da humanidade, a única que pode instruÃ-la.” – Edmund Burke
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