Archive for carpa

Foto da minha tattoo em blogs

Ontem, lendo meus feeds, descobri um post com fotos da minha tattoo.

O post que vi foi no Tattoo Blog, mas eles citam outro blog que foi onde acharam a foto originalmente.

No Tattoo Design tem um post sobre tatuagens de carpas. Eles escrevem:

This large Japanese Koi will be a beautiful artwork when completed.

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Koi Project #3

Terça-feira, 16 de maio de 2006 – 14h00
Duração da sessão: 01h00

Os problemas para dormir foram bem menores por conta da área tatuada. A cicatrização foi boa e a coceira já estava mais fácil de aguentar porque já a conhecia bem.

A previsão que era pra traçar tudo em três vezes foi modificada. O Mauricio dividiu a última parte – pegava dos rins até a perna – em duas por conta do trabalho que eu dei nas sessões anteriores. Quando mais desce maior a dor. Alguns lugares não tem muita diferença, outros é bem difícil de aguentar.

Dessa vez eu inventei de travar a musculatura, a respiração não estava controla e foi uma sessão bem difícil, talvez a mais difícil (já fiz a quinta sessão enquanto escrevo este post) de todas. A dificuldade foi toda por minha culpa. Acho que tive um ataque de ansiedade logo no começo e ainda não tinha conseguido “sublimar” a dor do processo. É difícil pro tatuador quando você se mexe muito e fica com os músculos contraidos. A sessão não rendeu muito bem e acho que até comprometi um pouco o trabalho dele nas linhas.

Tive um pouco da prévia de como é tatuar a bunda, e como já li em alguns lugares, não é nada fácil. A musculatura se contrai involuntariamente, e dói mais porque imagino que a pele seja mais sensível. Mais uma etapa vencida! Mês que vem tem mais. A meta é terminar o traçado esse semestre, depois o Mauricio sai de férias e voltamos só em agosto.

Mais links sobre tatugem:

Próxima sessão – 06.06.2006

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Koi Project #2

Quinta-feira, 13 de abril de 2006 – 17h00
Duração da sessão: 01h00

Segunda sessão! A cicatrização da primeira foi bem tranquila, tive alguns problemas pra dormir no início, por conta da posição que eu tinha de ficar. Sujei um pouco a fronha do travesseiro com tinta, mas tudo correu bem. Uma coisa que incomoda é o quanto coça! Mas depois de certo tempo você se acostuma com isso.

No primeiro post, eu faço referência ao blog do Keith Alexander. Confesso que fiquei um pouco decepcionado por não receber resposta do e-mail que mandei, até descobrir que ele havia falecido a pouco mais de um ano. Descobri por meio do blog Needled, e gostaria de prestar as homenagens ao seu trabalho.

Cheguei em cima da hora, e estava bem ansioso por causa da dor que já conhecia. O Mauricio passou o decalc para minhas costas e começamos o trabalho. Descobri que quanto mais desce mais dói, e que no centro das costas dói menos do que nas laterais. Não tive muitas impressões diferentes da primeira sessão, foi bem dificil, mas conseguimos terminar o previsto.

A respiração não mudou muito, eu tentei não travar a musculatura e respirar normalmente. Fiquei com hiperoxigenação de novo, mas dessa vez foi bem mais tranquilo. Como sempre o Mauricio seguiu o meu tempo e o que eu consegui aguentar. Eu prefiro ir com calma do que apelar e tentar fazer mais do que eu consigo suportar de uma vez só.

De novo o final da sessão é sempre a melhor parte. Sentir o ardor da pele rasgada quando ele limpa as costas burrifando água é muito bom. Mais uma etapa concluída e logo mês que vem tem outra. Eu acho que cada vez vou conseguindo suportar melhor e entender a dor pra poder trabalhar isso dentro de mim. Não acredito que usar alguma coisa pra aliviar a dor, ou me dopar vá resolver o caso, e o lance da tatuagem é você trabalhar isso em você. É como um teste a cada nova etapa. Vencer seus limites, transpor suas ansiedades. No final da sessão sempre dá um ataque de ansiedade, mas logo passa.

Mais alguns links interessantes sobre tatugem e cultura japonesa:

Próxima sessão – 16.05.2006

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Koi Project #1

Quinta-feira, 16 de março de 2006 – 16h00
Duração da sessão: 01h30

Finalmente é chegado o dia. Saí do trabalho logo depois do almoço. Fiz um lanche uma hora antes pra não baixar a pressão na maca. A ansiedade é gigante, um misto de medo e ansiedade. Cheguei no estudio pouco antes da hora marcada, já estava tudo preparado só me esperando. O Mauricio já havia passado o desenho pro papel manteira, e depois pra um papel específico pra fazer o decalque nas minhas costas. Ele cortou o desenho em três partes.

Ele mediu direitinho nas minhas costas e passou a 1a parte pra pele. Deitei na maca e começamos. Ele começou fazendo uns traços na altura do ombro direito, a cabeça da carpa. Primeiro traço, segundo traço, tudo certo. Terceiro traço, quarto traço, quinto traço, que dor é essa!!? Bateu arrependimento, desespero, suor frio, mas agora já era tarde pra voltar atras. Tinha de aguentar, logo o corpo começaria a se acostumar. Já havia conversado sobre a respiração com o Mauricio e fui tentando respirar igual quando vamos fazer um piercing. Eu inspirava e na hora que ele fazia o traço, expirava. Aguentei uns 15 minutos, mas comecei a ficar super oxigenado, fiquei meio tonto, os braços e pernas pareciam que tinham o motor das agulhas dentro deles.

Intervalo! Sentei um pouco na maca, levantei para tomar uma água e deixar o sangue circular pelo corpo. Quando olhei no espelho e padaço que já estava pronto, ganhei novo ânimo e a essa hora o arrependimento já tinha passado. Uns 5 minutos depois, já estava deitado na maca novamente. O processo foi ficando mais tranquilo, com o corpo se acostumando com a dor. Paramos mais umas 2 vezes depois. A dor variava de acordo com o lugar. Meu lado esquerdo dói mais que o lado direito. Quando tatuava em cima do osso era diferente de quando só em cima do músculo. No músculo lembra um pouco a dor de injeção, mas é como um arame arranhando. No osso é só o arame. Algumas partes parece que repuxa alguns pontos em lugares diferentes. As vezes parecia que tinha alguma coisa puxando dentro da barriga. Imagino que deva ser algum nervo.

Acredito que como foi o primeiro contato, o choque foi grande, mas no fim deu tudo certo. É gostoso quando termina e ele limpa a tatuagem com água, refresca e fica um ardido bom. Eu imaginava que a dor fosse mais suportável, mas não é nada de outro mundo também. O início foi ruim, mas depois o corpo se acostuma.

Achei esses dois artigos que falam sobre a origem da tatuagem oriental. A tatuagem passou de um adorno para a caça, a um instrumento de punição a criminosos, para a participação na Yakuza, até os dias de hoje, como manifestação artística.

Próxima sessão – 13.04.2006

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Koi Project

Inspirado no relato da tatuagem de Keith Alexander, resolvi fazer algo parecido pro meu projeto. Por enquanto vou fazer na forma de posts individuais, depois de terminado, monto uma página só com todo o processo.

A idéia de fazer uma tatuagem nas costas já tem mais de 9 anos. O plano original era fazer um ying yang de água e fogo nas costas, entre os ombros, com uns 15cm de diâmetro. Sempre tive vontade, mas ainda não tinha sentido necessidade.

Minha paixão pela cultura oriental influenciou totalmente o tema. Eu tinha a foto de uma tatuagem que era exatamente o que eu queria. Pensei em compor a tatuagem com o desenho de um bagua em volta, pra reforçar mais ainda o significado de equilíbrio.

Até que, 6 anos depois, vi essa tatuagem e tive certeza que era ela que eu queria. Passei mais 2 anos até sentir necessidade de tatuá-la.

Em novembro de 2005 comecei a procurar o artista. Eu já tinha juntado bastante referências, fotos de peixes, de outras tatuagens, do estilo tradicional japonês, só faltava achar quem iria fazer o trabalho.

Conversei com amigos que já tinham tatuagem e alguns me indicaram o Mauricio, e um tatuador de Brasília (Rabuja), namorado de uma amiga, também me indicou ele. Liguei, marquei um dia e fui lá conhecer o estúdio e conversar com ele pra ver o que eu sentia. Até então eu já tinha dado umas voltas por estúdios na galeria Ouro Fino e no Leds Tattoo, gostado de alguns, mas ainda tinha uma certa dúvida por qual escolher. Quando cheguei no estúdio do Mauricio logo de cara simpatizei com ele, já tinha visto algumas fotos do trabalho dele no seu site e o estudio é impecável. Vi o resto do portifolio dele e tive certeza de que ele era o cara. O preço estava compatível com as instalações e a qualidade do trabalho e fechamos. Deixei o material pra ele fazer o meu desenho e remarcamos pra fevereiro pra eu passar por lá. Ele tirou o molde das minhas costas e definimos até onde a carpa / koi iria chegar.

A ansiedade era grande, porque sou muito chato com detalhes, e confesso que estava com receio de não gostar do desenho logo de primeira. Eu gostei muito da idéia do preto e branco que é o caso da tattoo de referencia base, mas descobri que essa tattoo na verdade é laranja, só a foto está preto e branco. Eu não queria fechar as costas toda, queria uma carpa / koi nela toda, com foco no peixe e alguns splashs de água pra compor. Eu não gostei de alguns desenhos que vi com ela só nas costas, pareceia meio solta, a composição não me agradava, faltava movimento. E a carpa /koi descendo até a bunda era o movimento que eu vi na tattoo de referencia e que senti falta nas outras. Vi muita coisa em preto e branco com mais uma cor, dragões pricipalmente, e gostei muito. Então fomos pro preto e branco com amarelo / dourado.

Logo que vi o desenho me apaixonei por ele. O trabalho do Mauricio é muito realista e ele pegou outras referencias de livros de sumi-e que ele tem. Ele faz o desenho com aquarela e consegue reproduzir perfeitamente na pele o que produz no papel. Eu tinha medo da cabeça da carpa / koi, de ficar fina, triangular, como eu já tinha visto em outras tatuagens, eu gostei da cabeça da tattoo de referencia porque ela era larga, quase quadrada. E a minha ficou perfeita! As proporções ficaram ótimas. Eu só mudei, as cores que ele colocou a mais, na verdade ainda não tenho como saber como vai ficar. Se vamos deixá-la preto e branco ou com o amarelo, isso só vamos descobrir no processo. Eu tirei o azul do olho e o vermelho / laranja das escamas. Talvez o vermelho / laranja fiquem, mas decido isso depois. Como o peixe é bem grande e o foco principal é nele, a água / splash’s vão ficar só com sombreado (preto e branco).

Tudo acertado, marcamos a primeira sessão pro dia 16 de março de 2006. Até lá foi mais um mês de expectativa. Muita por sinal. Não fazia idéia do que era uma tatuagem, tinha receio de não aguentar a dor. Dúvidas não tinha nenhuma, o desenho era aquele, o tatuador era ele e ia ficar foda.

A lenda sobre a história da carpa / koi e porque as pessoas escolhem ela como tema para tatuagens:

“O Huang Ho (Rio Amarelo) atravessa todo o continente Chines. Para atingir sua fonte, a carpa / koi precisa nadar através de vales cheios de cachoeiras até a montanha Jishinhan. A lenda diz que se uma carpa / koi conseguir subir pela cachoeira Longmen Falls (Portão do Dragão), ela se transformará em dragão. Por causa da lenda, as carpas / kois se tornaram um simbolo de sucesso em vida.”

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