Em busca da batida perfeita

Sexta-feira eu subia a rua Pamplona apressado para não perder meu ônibus para minas. Estava perdidos em meio a planos e saudades, quando na esquina quase com a avenida Paulista eu vejo um senhor gordo com sua bengala descendo a rua. Ao se aproximar ele me abordou de forma cordial e de bom humor – “Boa noite, não se preocupe não sou ladrão, até porque gordo desse jeito eu seria um fracasso.” – disse ele tirando seu boné a me cumprimentar batucando em um caderno preto de capa dura e continuou sua história:

“Sou professor de percussão e vim para São Paulo fazer prova em uma faculdade, só que no metrô me fizeram esta surpresa” – e puxando sua mochila preta e verde mostrou um corte no bolso lateral do lado direito – “e roubaram todo o dinheiro que eu tinha”. Fiquei imaginando o pobre professor em um vagão cheio, apertado feito sardinha em lata, e algum aproveitador fez o serviço, deixando-o sem outra opção para voltar para casa que não pedir ajuda na rua. Ele continuou seu discurso:

“Já fui na delegacia fazer ocorrência, estão apurando o caso, mas até agora não sei como vou conseguir voltar para a minha cidade. Por isso estou nessa situação e estou sendo obrigado a pedir ajuda para comprar a passagem.”

Peguei no bolso uma nota de dois reais, entreguei em sua mão e disse: “Gostaria de parabenizá-lo pela ótima atuação. Confesso que na primeira vez que me contou sua história, a alguns meses lá na rua da Consolação, fiquei sensibilizado e saquei dez reais para te ajudar a voltar para casa. Hoje te dou menos e espero que você não tenha a má sorte de contar novamente a mesma lorota para a mesma pessoa. Passar bem.” – e fui-me embora subindo apressado a Pamplona. Já era quase 11h00 e meu ônibus saía dali a 40 minutos.

E ele ficou desconsertado, sem graça, talvez muito puto e continuou sua caminhada Pamplona a baixo.

5 Comments »

  1. Hugo Santos said,

    February 16, 2009 @ 10:16

    Que fdp. Até eu já tinha ficado comovido !!!!! HAUEHAUEHAUHEUA

  2. Hugo Santos said,

    February 16, 2009 @ 10:28

    Ah, agora lembrei tem um cara (mesmo nipe) na Paulista, Vergueiro e região…

    Ele se apresenta como um gringo que foi assaltado em SP. Chega falando inglês (bem, inclusive) explica que foi assaltado e tal e pede dinheiro pra voltar pra casa…

    Na primeira vez que ele me abordou, eu não tinha dinheiro, mas um casal que passava deu 5 reais. Eu andando pela rua vejo o cara num buteco nos arredores da Bela Vista tomando uma cerveja e trocando idéia com uns caras…ok.

    Eu e meu irmão andando de sk8 na Paulista vi o cara abordar um casal… passei do lado e gritei… “Esse cara é maior B.O. não é gringo não ele é safado mesmo” KKKKKkkkkk a mina fechou a cara virou as costas e foi embora e o cara ficou olhando pra trás com cara de …”que dfdp! me f***u!”

  3. gandralf said,

    February 16, 2009 @ 10:33

    Ainda bem que desta vez não foi a história do soviético

  4. bartira said,

    February 26, 2009 @ 12:10

    Eu tbm estava ficando comovida. Que maluco isto. Se bem que se for pensar bem, tem muita gente que conta histórias para ganhar dinheiro. E contar história não é pra qualquer um. Nota 5.5 pro gorducho 171.

  5. ANELICE said,

    April 30, 2009 @ 18:11

    Pior, que quando a história é verdadeira tem gente que não acredita, achando que é ” lero-lero, falação” e ainda sadicaliza nos “orkuts” da vida.Que feio!!

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