Rosa

… Dizer como era Rosa, Rosa de Oxalá, a negra Rosa, descrevê-la com as chinelas de veludo, seu olor noturno, esse cheiro de fêmea, esse perfume, a pele negro-azul em seda e pétala, seu poderio inteiro, da cabeça aos pés, a profunda bizarria, a prosopopéia, os balangandãs de prata, o langor dos olhos iorubás; ah, meu amor, para fazê-lo só um poeta de provada fama, de lira e de melenas, e não os trovadores da ladeira, em sete sílabas, violeiros bons no desafio, mas para Rosa, ah muito pouco!

Lídio Corró assume a flauta e o som acorda estrelas; no violão Pedro Archanjo busca a lua e a traz de longe - para Rosa tudo é pouco, dela nasce o samba na Tenda dos Milagres. A flauta geme amor, soluça.

Jorge Amado

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