Archive for July, 2007

Dar a outra face

A menos de uma semana eu fui vítima de um sequestro relâmpago e desde então eu venho tentando entender muitas coisas que aconteceram, como aconteceram e porque aconteceram. Eu tenho raiva do indivíduo que me abordou, simplesmente porque eu não tenho a menor idéia do que ele já passou e estava passando naquele momento pra fazer o que fez. Não estou dizendo que o que ele já passou justifica o que foi feito. Só estou tentando me colocar no lugar dele e ver se eu mesmo não tomaria a mesma atitude.

É muito fácil falar se você não passa fome, seus pais (quando essa figura ainda é presente) te deram uma boa criação, princípios e uma base moral, você tem emprego, é respeitado e as pessoas não te desprezam. De novo, não estou insinuando que o fato de nascer em berço pobre seja justificativa para se tornar um marginal. Pelo contrário! Acredito que a criação que temos, somada ao nosso caráter, é muito mais importante do que condições materiais. É por isso que vemos o outro extremo: jovens ricos, criados sem limites, se acham os donos do mundo e saem fazendo atrocidades e desreipeitando outros seres humanos simplismente por se acharem melhores do que eles. Não são menos marginais por conta disso.

Pra mim é tudo uma questão de escolha, você escolhe fazer o bem ou fazer o mal. E o fato de escolher não fazer nada não significa que você esteja fazendo o bem. Fazer o bem é combater o mal, ficar inerte é ser conivente com o mal. “Quem cala consente”, não é verdade? O problema pode parecer muito maior do que imaginamos, mas se ficarmos parados as coisas nunca vão melhorar. Ouvi muita gente falando em pena de morte, que “ladrão bom é ladrão morto”, mas eu não concordo com nenhum argumento que foi dado. Também não concordo com o nosso sistema penitenciário, onde pagamos para os criminosos viverem sem produzir nada, e pior, eles acabam se “formando” nunca escola de crime e saem de lá piores do que entraram. Eu acredito em um sistema penitenciário auto-suficiente e justo, onde os presos têm que produzir sua própria alimentação, vestuário e gerar receita pra se manterem. E lá aprenderem uma profissão para quando saírem possam ser reinseridos na sociedade.

Esse é outro problema: a sociedade. Hoje, os donos do poder, não querem perder esse poder (e consequêntemente seu dinheiro). Se a população é pouco alfabetizada, não têm opinião própria, é em sua maioria miserável, é fácil para eles se manterem no poder e dominar a massa. E como a gente consegue mudar isso? Se cada um fizer a sua parte, as coisas um dia vão melhorar. O que cada um pode fazer? Sair da inércia! Existem tantas opções de trabalho e cada um faz muita diferença nessa hora. Pode parecer pouco, mas se você conseguir ajudar uma criança a ter estudo, boa criação e valores e não se marginalizar, ela é uma pessoa a menos gerando problema, e uma a mais pra multiplicar essa força tarefa.

É simples assim. Dar a outra face é mostrar que somos capazes de reagir e mudar o panorama que temos hoje em nosso país. É ter a capacidade de dar amor quando a pessoa chega com ódio e rancor. É tentar se colocar no lugar do outro e analisar as dificuldades que ele está passando e ver que podemos ter uma parcela de culpa por causa da nossa inércia. Mahatma Gandhi nos deu um exemplo muito claro de como agir de forma contundente sem violência.

Eu fico imaginando como vai estar o mundo quando eu for criar meus filhos. Será que eu consigo fazer desse mundo um lugar melhor pra eles?

Updates:

[2007.07.31 00h22]
“Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada.” – Edmund Burke
“O exemplo é a escola da humanidade, a única que pode instruí-la.” – Edmund Burke

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Sequestro relâmpago

Ontem, dia 26/07/2007, de noite fui assaltado e levado para dar uma volta aqui em São Paulo. Apesar do susto os danos foram só materiais.

Versão compacta

Fui abordado ontem em um ponto de ônibus na avenida Santo Amaro por um indivíduo que se dizia armado. Ele levou meus pertences (mochila, tenis, mp3 player, casacos, celular e dinheiro), fomos de ônibus para a avenida Paulista sacar dinheiro (R$ 100,00 porque já era depois das 22h) no caixa eletrônico do Citibank, comemos no McDonald’s (ele estava com fome) e fizemos R$ 500,00 em compras (5 pacotes de cigarro, 1 garrafa de Gold Label, 4 latas de Red Bull e uma caixa de chocolate). Depois disso (mais ou menos 2h depois) ele me deixou ir embora, como tinha dito que moro na Brigadeiro, desci para o metrô na estação Consolação e essa foi a hora mais foda porque eu não sabia se o cara ia me dar um tiro pelas costas.

Aprendizados

  • Não dá pra reagir mesmo! Fique sempre calmo e faça o que o eles pedem. Quando sua vida está na ponta de uma navalha não dá pra arriscar nada.
  • Não ande com muitos cartões na carteira – crédito e débito. Se você trabalha com dois bancos, deixe sua poupança em um banco e use o outro pra movimentar o dinheiro e ande com este cartão, deixando o do “banco poupança” em casa.
  • Não dê mole nos lugares, principamlente de noite e quando está sozinho. Se possível pegue qualquer ônibus e desça em uma parada que tenha gente.

Versão completa

Após sair da reunião no centro espírita desci para a parada de ônibus localizada na avenida Santo Amaro na altura da avenida Afonso Bras. Estava sentado na primeira fileira de bancos onde não tinha gente perto e logo a uns três metros tinha algumas pessoas na segunda fileira. Cheguei por volta de 21h55 e meu ônibus passa as 22h10. Nesse intervalo de tempo chegou do meu lado e ficou em pé um rapaz (aparentando uns 30 anos, moreno escuro, olhos e cabelos escuros) e falou: “Você vai querer que eu mostre a arma ou você vai colaborar comigo?”; eu estava com fones de ouvido e não caiu a ficha quando ouvi aquilo. Perguntei: “O que?”; ele tirou meu fone, chegou perto e falou: “Não entendeu não?”. Foi quando eu percebi que estava sendo roubado.

Na hora tudo parece muito surreal, você não acredita que aquilo está acontecendo com você. Eu perguntei pra ele o que ele queria e disse que iria colaborar. Ele pediu o tenis, os casacos, a mochila e os “aparelhos” (como ele chamava o celular e o mp3 player). Logo fui tirando o casaco e dando pra ele, ele se sentou ao meu lado e tirou, tirou seu tênis e me passou. O tênis devia ser 38, não calcei ele todo só encaixei no pé. Ele me deu seu casaco, um moleton azul, e eu passei os meus pra ele. Ele pediu o dinheiro, eu mostrei a carteira, tirei a nota de R$ 50,00 que estava lá e pedi pra eu ficar com os documentos. Ele disse que não tinha problema, ele só queria meu dinheiro e os “aparelhos”. Peguei o celular e pedi pra tirar o chip, ele deixou sem problema, tirei o chip e o microSD e entreguei o aparelho pra ele. Entreguei meu mp3 player Sony e fui tirando da mochila as coisas que ele não iria querer. Tirei meus livros, uns remédios, minha marmita, meu pen drive (que ele não percebeu), escova de dentes e outras coisas.

Ele então lembrou da carteira. Eu carrego uma carteira com os documentos e um porta cartão de visita com dinheiro e bilhete único (que eu tiro mais nos lugares públicos). Mostrei de novo a carteira, entreguei o bilhete único e ele perguntou dos cartões. Eu falei que só tinha o cartão do banco, se ele queria o cartão. Foi quando ele falou que iríamos dar uma volta. Íriamos no meu banco pegar dinheiro. Detalhe é que na hora que eu descarregava minha mochila, uns 5 minutos depois de ser abordado, meu ônibus passou. Falei pra ele que só me lembrava de banco na avenida Paulista e logo entramos em um ônibus Terminal Bandeira para subir a avenida Nove de Julho em direção a Paulista.

Nesse meio tempo ele sempre me ameaçava falando que era pra eu colaborar, que se eu me coçasse ele iria me mandar bala. Dizia que tinha saído da cadeira no sábado e não tinha nenhum problema em voltar pra lá, que lá era até melhor do que aqui fora. O ônibus estava meio cheio e fomos para trás pra ficar mais tranquilo. No percurso na Nove de Julho não vi nenhum banco e quando descemos na parada Maria Lisboa eu vi um AMPM com banco 24horas. Eu queria que ele me deixasse ir logo, então sugeri tentarmos sacar dinheiro lá. Entrando na loja fomos para o caixa e por causa do horário só conseguimos sacar R$ 100,00. Ele falou para tentarmos de novo, mas não tivemos sucesso.

Subimos a pé pra Paulista e novamente ele me ameaçou novamente. Ele falou que tinha muitos “canas” naquela região e se eu me coçasse ele não ia pensar duas vezes. Que era pra eu ter certeza de que se ele “subisse” eu ia “subir” junto com ele. Chegamos no banco na altura da Brigadeiro, ele entrou comigo e tentamos novamente sem sucesso. Ele falou que em meia hora a genta ia conseguir sacar de novo. Fomos para um outro banco depois do MASP e não conseguimos mais uma vez. Ele me fez tirar um extrato, consegui tirar o saldo e não deixei ele ver meu nome no papel, que ficou comigo depois de mostrar o que tinha na conta. Fomos indo pro lado da Consolação porque lá tem outro banco. Paramos no McDonald’s, ele pediu um lanche (acho que ele queria era fazer hora). Perguntei o que ele queria e ele não pareceu conhecer os lanches. Comprei um cheeseburger, uma Coca pequena, ele pediu uma água e comprei um suco de uva pequeno pra mim. Sentamos, ele comeu rápido e logo saimos.

Foi então que ele falou que já que não dava pra sacar dinheiro que íamos fazer compras. Já era 23h e falei pra ele não tinha lugar pra gente comprar nada aquela hora. Ele falou que a gente ia arrumar algo. Fiquei com medo de ele me levar de ônibus pra longe e dei a idéia de comprar alguma coisa pra ele na banca. Ele lembrou que queria cigarro, e íamos comprar um pacote de cigarro. Na banca eles não vendem cigarro com cartão, só com dinheiro, mas o cara da banca falou que na padaria ele acha que vendia. Foi quando nos dirigimos para Bela Paulista. Lá eles vendem cigarro se for pago com o cartão de débido, e esse era o único cartão que eu mostrei pra ele. Ele pediu dois pacotes de Marlboro, dois de LuckStrike e um de Carlton. Enquanto o cara pegava os pacotes no depósito, ele se lembrou de comprar Whisky. Pegamos uma garrafa de Johnny Walker Gold Label de R$ 300,00. Fomos para o caixa pagar. Ele lembrou de pegar um engradado de quatro unidades de Red Bull e uma caixa de bombons. No total a conta deu R$ 468,10.

Ele finalmente ficou satisfeito. Ele ficava falando que eu era legal, que eu estava colaborando com ele, que se “todos” fossem assim, a vida dele seria bem mais fácil. Falei que eu ia pegar o metrô, ele disse que ia me deixar lá. Chegamos na entrada do metrô da Consolação, na parte mais afastada, onde não é a entrada principal. Ele falou que era pra eu descer. Me despedi dele, desejei que ficasse com Deus e fui descendo de forma tranquila as escadas. Essa hora foi a parte mais difícil. Eu fiquei com muito medo de levar um tiro nas costas ou na cabeça. No meio da escada olhei pra trás e acenei pra ele. Finalmente consegui chegar lá em baixo ileso. Fiquei meio perdido, pensando no que fazer. Só queria sair dali, estava com medo que ele descesse e me pegasse de novo. Comprei logo um blilhete, com o dinheiro que eu pedi pra ele deixar comigo pra eu pegar condução pra voltar pra casa, e desci pra esperar o metrô. Ainda estava meio aterrorizado com a situação. Fui andando até o final do metrô e fiquei no meio, escondido e agaixado, rezando pra ele não aparecer. Logo que o metrô chegou eu entrei pro sentido do Clínicas. Chegando lá procurei um posto polícial, dei queixa e liguei pra pessoal lá de casa ir me buscar. Finalmente o pesadelo tinha terminado.

Updates:

[2007.07.26 17h10]
Tenho seguro no cartão e em duas semanas, depois deles analisarem o acontecido, eu devo receber parte da grana de volta. O que não vou conseguir recuperar foram os “aparelhos” e as roupas que ele levou. Acho que perdi uns R$ 1.300,00 nessa brincadeira, mas eu pagaria mais pra sair ileso como aconteceu.

[2007.07.26 17h30]
Pra quem fala de São Paulo eu não acho que é tão diferente assim em outras cidades grandes. Como disse um amigo – “Bom mesmo era lá no Gama que só corria risco de ser estuprado no caminho parada > casa > parada”. Em todo lugar tem problemas, tem assalto, eu moro aqui já a quase três anos e só agora que fui vítima de violência de forma direta. No primeiro ano quebraram o vidro do meu carro e roubaram o som, mas isso acontece muito mais em Brasília no bairro onde moro nos fins de semana quando tem churrasco e a rua fica cheia de carro. O grande lance é a sua sintonia, se você não tiver sintonizado com coisas ruins é mais fácil de não te acontecer nada ruim. É claro que você não pode vacilar, mas se você fizer sua parte, o Cara lá de cima faz a dele.

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Não voe por Congonhas!

Não voe por Congonhas!

Pouco importa se a falha foi técnica ou erro humano. O fato é que Congonhas tornou-se inviável. Sem área de escape, com aviões cada vez maiores, é evidente que outras tragédias virão. Como está, não pode ficar. Se eu e você não voarmos mais por lá, quem sabe as coisas não começam a mudar?

Diversos blogs estão aderindo a campanha de boicote ao aeroporto de Congonhas, São Paulo. Hoje o presidente Lula declarou:

Como presidente, quero garantir às famílias que, além da apuração rigorosa dos fatos, estamos tomando todas as providências ao nosso alcance para diminuir os riscos de novas tragédias. É dentro desse compromisso que anuncio à nação algumas decisões tomadas hoje pelo Conselho de Aviação Civil:

1 – Mudança do perfil operacional do Aeroporto de Congonhas, com diminuição do número de vôos e restrição ao peso das aeronaves. Embora Congonhas atenda a todas as normas internacionais de segurança, isso não basta. Como o Aeroporto foi cercado por todos os lados, pela cidade de São Paulo, ele precisa obedecer a medidas de segurança ainda mais severas. Congonhas deve ser um aeroporto voltado para a aviação regional e ponte aérea. Não pode mais ser um ponto de distribuição de vôos, conexões e escalas, como vinha acontecendo. Essa missão na área de São Paulo deverá ser atribuída a Guarulhos e Viracopos.

4 – Definição, em 90 dias, do local da construção de um novo aeroporto na região de São Paulo.

Parece que só depois de tantos problemas eles decidem construir um novo aeroporto em São Paulo. Já a algum tempo que eu venho falando que um novo aeroporto na região de Interlagos com uma aérea livre bem grande é uma boa solução para desviar boa parte dos voos de Congonhas e deixá-lo para ponte aérea e pequenas aeronaves.

Uma outra boa opção é a construção de um transporte rápido e seguro (trem expresso) do metrô para o aeroporto de Guarulhos. Assim não precisamos perder horas de ônibus, carro ou taxi, correndo o risco de perder o voo por causa do transito. Uma boa opção que eu vi hoje é a ponte aérea Congonhas-Guarulhos oferecida pela Ocean Air. A ida é uma boa opção já que a decolagem não é muito crítica em Congonhas. Pelo valor e tempo bem mais reduzidos que o taxi parece uma boa opção.

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voFactory

I use a lot value objects (VO) in Javascript storing JSON content and it is quite boring to create a new VO. So i did a factory to automate the process.

Create a new VO:
var TestVO = AMF.voFactory([
    ['name', {type: 'string'}],
    ['age', {type: 'int'}],
    ['height', {type: 'float'}],
    ['friends', {type: 'array', defaultValue: null, addName: 'friend'}],
    'x',
    ['y', {}]
]);

Create a new instance on t:
var t = new TestVO();

Set values:
t.setName('My Name');
t.setAge(28);
t.setHeight(1.74);
t.setFriends(['Friend A', 'Friend B']);
t.addFriend('Friend C');
t.setX('value X');
t.setY('value Y');

Get values:
t.getName() - My Name
t.getAge() - 28
t.getHeight() - 1.74
t.getFriends() - Friend A,Friend B,Friend C
t.getX() - value X
t.getY() - value Y
t.toString() -
    name: My Name,
    age: 28,
    height: 1.74,
    friends: [Friend A, Friend B, Friend C],
    x: value X,
    y: value Y
t.serialize() - name=My%20Name&age=28&height=1.74& friends=Friend%20A%2CFriend%20B%2CFriend%20C& x=value%20X&y=value%20Y

Using parse() method (JSON notation):
var v = {'name': 'My New Name', 'age': 29, 'height': 1,76, 'friends': ['Friend D', 'Friend E'], 'x': 'value X2', 'y': 'value Y2'};
t.parse(v);

Get new values:
t.getName() - My New Name
t.getAge() - 29
t.getHeight() - 1.76
t.getFriends() - Friend D,Friend E
t.getX() - value X2
t.getY() - value Y2
t.toString() -
    name: My Novo Name,
    age: 29,
    height: 1.76,
    friends: [Friend D, Friend E],
    x: value X2,
    y: value Y2
t.serialize() - name=My%20Novo%20Name&age=29&height=1.76& friends=Friend%20D%2CFriend%20E& x=value%20X2&y=value%20Y2

The methods parse(), toString() and serialize() are created as default, but you can reewrite anyone as you need.
TestVO.prototype.parse = function() { ... };
TestVO.prototype.toString = function() { ... };
TestVO.prototype.serialize = function() { ... };

Download it here (vofactory.zip 6kb)

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