Tudo ou nada

Quando aprendemos a gerenciar nossas expectativas, sem esperar nada das pessoas, o pouco que elas têm para nos oferecer se torna muito perto do nada que esperamos. Controlando o nosso desejo, nos afastamos de desilusões e desencantos.

Mais uma vez percebemos o quanto estamos presos na dualidade. E não existe melhor fórmula para conseguir equilíbrio e felicidade que o caminho do meio. Longe dos extremos vivemos mais tranquilos e centrados. O medo da perda só existe quando achamos que algo nos pertence. Nossa felicidade tem de vir de dentro pra fora e não, como muitas vezes fazemos, de fora pra dentro. Nos fazendo reféns de algo de fora e deixando que este algo guie nossa felicidade.

É bem complexo conseguir distinguir o que realmente nos faz feliz. Não dá pra simplismente falar que somos pleno e vivemos felizes assim. O meio exterior nos influencia a toda hora. O temos de observar é o valor que damos pras coisas exteriores. Claro que estou racionalizando muito, e quem não vive sem queimar por uma paixão, como eu, sabe muito bem que tudo isso é muito teórico.

Só precisamos observar o valor que as coisas têm pra gente. Não precisamos entrear em depressão por uma perda material. Têm muita gente que é muito apegada aos bens materiais e dá pouco valor para as coisas que realmente importam. O respeito, o carinho, a verdade, a transparência. São coisas que pra mim têm muito valor a todo momento. O que construimos de material aqui, aqui fica. As amizades, amores e paixões que encontramos por aqui, sempre vão conosco, em nossos corações. Viva no caminho do meio, mas queime nos extremos pelas coisas que valem realmente a pena. Viva plenamente, tranquilo de suas obrigações cumpridas. Sem medo de ir dormir a noite, sem peso nas costas, sem dúvidas da sua integridade.

amf - 16.02.2006

Ouvindo: Szerencsétlen - Venetian Snares

3 Comments »

  1. Dani-se said,

    May 31, 2006 @ 11:33

    Amei. Assino em baixo de todos os seus textos. Pensamos absolutamente da mesma forma.

    “O medo da perda só existe quando achamos que algo nos pertence.” - muito verdade!

    Eu vivo pela paixão. Pela paixão a vida. Não é a toa que tatuei essa palavra no meu pulso. É a paixão que me guia. Mas até mesmo com paixão consigo andar pelo caminho do meio.

    Bjoooos

  2. wilka said,

    May 31, 2006 @ 11:37

    Eu nunca consegui gerenciar minhas expectativas, isso estão muito além das minhas possibilidades. Mas uma coisa eu concordo é preciso não alimentar o sentimento do egoísmo e achar que somos donos de coisas que são universais.
    Gostei do texto.

    bjo

  3. Tokyoeyes said,

    May 31, 2006 @ 11:38

    Ótimo, científicamente perfeito. So que Entropicamente a vida tende ao caos e por isso são as descidas de muro, o se desviar para os lados, que faz parte da nossa vida. Quando a gente tem esses vislumbres do que seria o certo consegue por as ideias em ordem, controlar os sentimentos e se sentir o dono do mundo, viver cada fase seja à direita, à ezquerda ou pelo caminho do meio nos ajuda a crescer. O importante é viver e se permitir, de vez em quando, perder a razão ;)

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