8 ou 80

Não sou morno, ou sou quente ou sou frio. Porque sentimos tanto a falta de algo quando perdemos? Essa falta é diretamente proporcional ao valor que você dava pro que perdeu.

Existem coisas que fazem parte da nossa vida, que estão tão no nosso dia-a-dia que nem percebemos que elas existem, mas existem coisas que por menor que seja o tempo que elas entraram em contato conosco, elas parecem tão essenciais que pensamos não ser mais capazes de viver sem elas.

E são exatamente essas coisas que nós mais nos apegamos e damos um valor tão alto quanto nossa própria existência. Será que cavamos nossos sofrimentos? Será verdade que nada é para sempre? São perguntas que podem nos tornar pessoas mornas e fechadas para todas as coisas boas da vida. Você tem medo de sofrer? Até que ponto esse sofrimento é válido?

No decorrer da vida, vamos aprendendo a nos controlar e manter mais o equilíbrio. Aprendemos a nos entregar a algo na medida certa, sem precisar temer um futuro de sofrimento e saudade. Realmente, nada dura pra sempre. Uma coisa é certa, a morte é o fim de tudo o que conhecemos aqui, pra partirmos pra uma outra realidade, muito maior e mais real do que o que vivemos. E como lidar com isso? Como você cria seu filho sabendo que um dia esses laços serão quebrados de maneira drástica, causando um caos momentaneo, pra no futuro quem sabe se reencontrar.

Vamos ganhando cicatrizes, principalmente no coração, onde nossos maiores laços afetivos são sedimentados. Essas cicatrizes são como calos, que nos ensinam que as dores da vida são uma realidade e que não temos como fugir delas. Temos de aprender a conviver com isso e tirar lições para não sofrer tanto no futuro.

A revolta é a pior opção. O medo não é aliado confiável. Fugir não adianta de nada. Levanta a cabeça, respira fundo! Esquece o aperto no peito, o nó na garganta e segue em frente. Talvez o esquecimento seja uma boa opção. O desligamento é fundamental, realmente necessário, porque sem ele a ferida do coração não cicatriza. A cada reencontro, o coração que já estava sossegando, bate mais forte, e os pontos que o tempo deu se desfazem, fazendo correr de novo o sangue. Volta a hemorragia, os sentimentos ficam todos confusos, a vontade de voltar atras é grande.

Muitas vezes não existe essa possibilidade. Existem separações que não são passíveis de reencontros. Existem separações que o desligamento é imediato, mas esse desligament é meramente físico. Sua cabeça está ligada à outra pessoa. As lembranças continuam vivas na memória. E cada vez que você relembra algo, a hemorragia volta. Encaixotar tudo é mais que necessário. É uma atitude drástica, para uma recuperação garantida. Como já disse, um dia podem voltar a se encontrar novamente sem nenhum ônus para as partes, nesta ou em outra realidade.

Mas é isso. Somos ainda crianças. Aprendendo a cada passo. Caindo e levantando, chorando e sorrindo. Amando e sofrendo. Não sou morno, ou sou quente ou sou frio. Não existe meio amor, ou você ama ou não ama. Não sei jogar, sou o que digo ser. As vezes não me entendem, ou se sentem ofendidos por mim, mas infelizmente sou assim. Agradeço a todos que tentaram por mim, que acreditaram em mim, e que mesmo não dando certo as vezes, ainda me quere bem e sabem que podem contar comigo sempre.

amf – 20050731

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